Eis uma síntese de um artigo sobre Cultura e Inteculturalidade na Sala de Aula. Leiam-no, reflitam sobre o conteúdo e coloquem uma pequena contribuição no blog.
CULTURA, INTERCULTURALIDADE E SALA DE AULA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
Marco André Franco de Araújo
(Universidade Federal de Goiás/UFG)
Francisco José Quaresma de Figueiredo
(Universidade Federal de Goiás/UFG)
(síntese)
A sala de aula de língua estrangeira deve ser um lugar que
proporcione ao aluno o conhecimento sobre o sistema da língua que está
aprendendo (sua estrutura, seu vocabulário, suas regras e normas) e, também,
sobre a cultura dessa língua. Assim, o professor de línguas estrangeiras deve
levar em consideração vários aspectos em sala de aula, tanto os linguísticos
quanto os culturais.
Cultura
Quando
falamos em língua, não podemos pensá-la desassociada de cultura, ou seja, cada
língua é permeada por elementos culturais que são característicos de cada
indivíduo que faz uso dela. Assim, na sala de aula de língua estrangeira, o
professor não pode deixar de levar em consideração a cultura da língua que está
ensinando, pois a língua é importante na nossa construção social, e também,
cultural.
Para Kramsch
(1998), a língua se baseia em um sistema de signos e que tem em si mesma um
valor cultural. Assim, os falantes dessa língua se identificam com os outros
através do uso da língua; esses falantes veem a língua como símbolo de sua
identidade social.
Diante disso, o trabalho com o aspecto cultural no ensino de
línguas tem como base um processo em que não é tido como eixo somente o caráter
linguístico, estrutural da língua-alvo ou a habilidade de comunicação, ou seja,
devemos propor ao aluno que se posicione diante de uma consciência crítica e,
também, humana em relação às outras culturas (Figueiredo, 2010; Figueiredo,
2009; Gomes de matos, 2004).
Segundo
Spencer-Oatey (2012), a cultura possui outras características, a saber: a
cultura afeta o comportamento e interpretações de comportamento dos indivíduos;
ela pode ser diferenciada tanto da natureza universal como da personalidade de
cada indivíduo, que, por sua vez, é única; a cultura pode influenciar os
processos biológicos; é simultaneamente uma construção social e individual, e
está associada aos grupos sociais.
Interculturalidade
e sala de aula de língua estrangeira
O principal papel do ensino de línguas
estrangeiras é o de comunicar-se naquela língua. Através da língua, nos
expressamos, interagimos e compreendemos os outros enquanto indivíduos
socioculturais. Assim, o professor deve estar disposto a ensinar não somente
estruturas e regras, mas, também, os aspectos culturais da língua alvo. Nesse
sentido, o ensino de línguas, levando em consideração a abordagem comunicativa
que, conforme afirmam Figueiredo e Oliveira (2012, p. 29), “tem o objetivo de
proporcionar ao aprendiz conhecimentos linguísticos para que ele se torne
habilitado a se comunicar com outros falantes, nativos ou não, da língua que está aprendendo”, objetiva o
desenvolvimento da competência comunicativa do aluno, e, numa perspectiva
intercultural, o ensino de língua estrangeira tem como principal objetivo o
desenvolvimento da competência comunicativa intercultural desse aprendiz.
Hall
(2012), ao citar Byram (1997), esclarece que o conceito de competência
comunicativa intercultural é uma expansão da concepção da competência
comunicativa. Byram (1997) define, então, competência comunicativa
intercultural como conhecimento, habilidades e atitudes que são necessárias
para se envolver em atividades onde a língua alvo é o principal código de
comunicação e no qual esse código é comum para aqueles com diferentes línguas
de preferência (Hall, 2012).
De acordo com Corbett (2003, p. 2) a “competência
comunicativa intercultural inclui a capacidade de compreender a linguagem e o
comportamento da comunidade alvo, e explicar para os membros da comunidade „local‟
e vice-versa” (Corbett, 2003, p. 2).
A comunicação intercultural está, portanto, relacionada à
ideia de identidade e interação. O falante intercultural é, portanto, alguém
que, por estar consciente de sua própria identidade e cultura, é capaz de
estabelecer relações entre culturas e mediar através de diferenças culturais,
as explicando, as entendendo e as valorizando (Figueiredo, 2010, p. 16).
Sobre a Competência
Comunicativa Intercultural, Corbett (2003) adapta de Byram (1997) algumas
especificidades acerca do conceito de competência comunicativa, a saber:
(1) Conhecimento de si e do outro; de como
ocorre interação; da relação do indivíduo e a sociedade;
(2) Saber como interpretar e relatar a
informação;
(3) Saber como se engajar com as
consequências políticas da educação; ser consciente dos comportamentos
culturais;
(4) Saber como descobrir informação cultural;
(5) Saber
como ser; como relativizar a si mesmo e valorizar as atitudes dos outros.
(Corbett, 2003, p. 32).
De
acordo com Corbett (2003, p. 2) a “competência comunicativa intercultural
inclui a capacidade de compreender a linguagem e o comportamento da comunidade
alvo, e explicar para os membros da comunidade „local‟ e vice-versa” (Corbett,
2003, p. 2).
Ainda,
de acordo com Corbett (2003), a competência comunicativa intercultural é vista
como um conjunto de conhecimentos e habilidades linguísticas e culturais.
Assim, podemos dizer que possuir competência comunicativa intercultural
significa não ter somente domínio da estrutura da língua alvo, mas, também,
reconhecer as coisas que fazem realmente sentido para a comunidade da qual está
aprendendo a língua e interagindo por meio dela.
Nesse
sentido, realizar um trabalho intercultural em sala de aula de língua
estrangeira, além de desenvolver a competência comunicativa intercultural do aluno,
o ajudará em ser mais crítico em relação à multiplicidade de culturas
existentes, reconhecendo que os diferentes aspectos socioculturais são
influentes e acabam por afetar o modo como as pessoas vivem dentro de sua
comunidade.