viernes, 21 de abril de 2017

CULTURA, INTERCULTURALIDADE E SALA DE AULA DE LE

Boa tarde caros formandos,

Eis uma síntese de um artigo sobre Cultura e Inteculturalidade na Sala de Aula.  Leiam-no, reflitam sobre o conteúdo e coloquem uma pequena contribuição no blog.



 CULTURA, INTERCULTURALIDADE E SALA DE AULA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

 Marco André Franco de Araújo
(Universidade Federal de Goiás/UFG)
Francisco José Quaresma de Figueiredo
(Universidade Federal de Goiás/UFG)
(síntese)

A sala de aula de língua estrangeira deve ser um lugar que proporcione ao aluno o conhecimento sobre o sistema da língua que está aprendendo (sua estrutura, seu vocabulário, suas regras e normas) e, também, sobre a cultura dessa língua. Assim, o professor de línguas estrangeiras deve levar em consideração vários aspectos em sala de aula, tanto os linguísticos quanto os culturais.
Cultura
Quando falamos em língua, não podemos pensá-la desassociada de cultura, ou seja, cada língua é permeada por elementos culturais que são característicos de cada indivíduo que faz uso dela. Assim, na sala de aula de língua estrangeira, o professor não pode deixar de levar em consideração a cultura da língua que está ensinando, pois a língua é importante na nossa construção social, e também, cultural.
Para Kramsch (1998), a língua se baseia em um sistema de signos e que tem em si mesma um valor cultural. Assim, os falantes dessa língua se identificam com os outros através do uso da língua; esses falantes veem a língua como símbolo de sua identidade social.

Diante disso, o trabalho com o aspecto cultural no ensino de línguas tem como base um processo em que não é tido como eixo somente o caráter linguístico, estrutural da língua-alvo ou a habilidade de comunicação, ou seja, devemos propor ao aluno que se posicione diante de uma consciência crítica e, também, humana em relação às outras culturas (Figueiredo, 2010; Figueiredo, 2009; Gomes de matos, 2004).
Segundo Spencer-Oatey (2012), a cultura possui outras características, a saber: a cultura afeta o comportamento e interpretações de comportamento dos indivíduos; ela pode ser diferenciada tanto da natureza universal como da personalidade de cada indivíduo, que, por sua vez, é única; a cultura pode influenciar os processos biológicos; é simultaneamente uma construção social e individual, e está associada aos grupos sociais.

Interculturalidade e sala de aula de língua estrangeira

O principal papel do ensino de línguas estrangeiras é o de comunicar-se naquela língua. Através da língua, nos expressamos, interagimos e compreendemos os outros enquanto indivíduos socioculturais. Assim, o professor deve estar disposto a ensinar não somente estruturas e regras, mas, também, os aspectos culturais da língua alvo. Nesse sentido, o ensino de línguas, levando em consideração a abordagem comunicativa que, conforme afirmam Figueiredo e Oliveira (2012, p. 29), “tem o objetivo de proporcionar ao aprendiz conhecimentos linguísticos para que ele se torne habilitado a se comunicar com outros falantes, nativos ou não, da língua que está aprendendo”, objetiva o desenvolvimento da competência comunicativa do aluno, e, numa perspectiva intercultural, o ensino de língua estrangeira tem como principal objetivo o desenvolvimento da competência comunicativa intercultural desse aprendiz.
Hall (2012), ao citar Byram (1997), esclarece que o conceito de competência comunicativa intercultural é uma expansão da concepção da competência comunicativa. Byram (1997) define, então, competência comunicativa intercultural como conhecimento, habilidades e atitudes que são necessárias para se envolver em atividades onde a língua alvo é o principal código de comunicação e no qual esse código é comum para aqueles com diferentes línguas de preferência (Hall, 2012).

De acordo com Corbett (2003, p. 2) a “competência comunicativa intercultural inclui a capacidade de compreender a linguagem e o comportamento da comunidade alvo, e explicar para os membros da comunidade „local‟ e vice-versa” (Corbett, 2003, p. 2).
A comunicação intercultural está, portanto, relacionada à ideia de identidade e interação. O falante intercultural é, portanto, alguém que, por estar consciente de sua própria identidade e cultura, é capaz de estabelecer relações entre culturas e mediar através de diferenças culturais, as explicando, as entendendo e as valorizando (Figueiredo, 2010, p. 16).
Sobre a Competência Comunicativa Intercultural, Corbett (2003) adapta de Byram (1997) algumas especificidades acerca do conceito de competência comunicativa, a saber:

(1) Conhecimento de si e do outro; de como ocorre interação; da relação do indivíduo e a sociedade;
(2) Saber como interpretar e relatar a informação;
(3) Saber como se engajar com as consequências políticas da educação; ser consciente dos comportamentos culturais;
(4) Saber como descobrir informação cultural;
(5) Saber como ser; como relativizar a si mesmo e valorizar as atitudes dos outros. (Corbett, 2003, p. 32).

De acordo com Corbett (2003, p. 2) a “competência comunicativa intercultural inclui a capacidade de compreender a linguagem e o comportamento da comunidade alvo, e explicar para os membros da comunidade „local‟ e vice-versa” (Corbett, 2003, p. 2).
Ainda, de acordo com Corbett (2003), a competência comunicativa intercultural é vista como um conjunto de conhecimentos e habilidades linguísticas e culturais. Assim, podemos dizer que possuir competência comunicativa intercultural significa não ter somente domínio da estrutura da língua alvo, mas, também, reconhecer as coisas que fazem realmente sentido para a comunidade da qual está aprendendo a língua e interagindo por meio dela.

Nesse sentido, realizar um trabalho intercultural em sala de aula de língua estrangeira, além de desenvolver a competência comunicativa intercultural do aluno, o ajudará em ser mais crítico em relação à multiplicidade de culturas existentes, reconhecendo que os diferentes aspectos socioculturais são influentes e acabam por afetar o modo como as pessoas vivem dentro de sua comunidade.

8 comentarios:

  1. O tratamento dessa competência dentro da aula é fundamental para o sucesso do ensino, tanto como o professor quanto o aluno devem- se mostrar tolerantes e reconhecer a alteridade, de uma maneira respeitosa e valorizando as diferenças e similitudes. Além de considerar as interpretações e as experiências prévias de cada aluno e evitar assim atitudes discriminativas ou baseadas nos estereotipos com os quais às vezes os alunos criam as imagens dos estrangeiros. Esclarecer que a informação recebida pode ser só uma parte da realidade. Esse trabalho intercultural resulta também importante para conservar a identidade e entender o por quê das mudanças em cada cultura e a adaptação as mesmas.

    ResponderEliminar
  2. Sim, é importantíssimo considerar que a comunicação é dialética - alguém se expressa e alguém interpreta, podendo ser efetiva ou não, pois aquilo que se deseja comunicar nem sempre é o que se compreende de 'outro lado'. E isso pode ocorrer por diversas questões envolvidas no processo, tais como interculturalidade e afetividade. Aí entra a capacidade de negociação e empenho, não só em se expressar como em entender o outro. É preciso considerar que todos os envolvidos trazem consigo uma 'bagagem', e dentro dessa, uma identidade com aspectos tão perenes quanto a digital, o que pode ser tanto uma fonte de riqueza quanto de ansiedade, diante da 'ameaça da perda de identidade'. O que me parece inevitável é considerar que todas essas vertentes se apresentam, inclusive, entre falantes de uma única língua materna ou falantes fluentes de mesma língua.

    ResponderEliminar
  3. No memento de incluir a cultura na aprendizagem da língua-alvo o estudante se identifica não só com as estruturas e regras da língua, também faz muita reflexão sobre a sua própria cultura. A comparação faz parte do processo e o caminho é só enriquecimento que às vezes com a “bagagem” que falou a Emanuela que eu compreendo que seria como a programação de crenças e visões estabelecidos ao longo da vida de cada ser humano em sua própria cultura. A visão da educação pode abrir vertentes novos e ao mesmo tempo também fechá-los, e importante considerar cada um desses elementos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. A principal coluna para interagir desde uma comunicação assertiva é o respeito em qualquer cultura, saber como descobrir as percepções e interpretações entra no jogo da interação do indivíduo que pretende alcançar um domínio no uso da língua para construir uma nova identidade desde a sua competência comunicativa.

    ResponderEliminar
  4. Acho muito importante este tema , hoje já não se trabalha somente ensinando a língua em si, assim como tal, tem que ser trabalhado a interculturalidade, a cultura dos povos que fala uma determinada língua. A pessoa que está aprendendo um novo idioma de alguma maneira terá contato com a alguém com a língua que se está estudando, aí vem a importa desta matéria, para que não haja tantos choques culturais. Conhecer novas culturas é uma experiência fantástica, você se torna uma pessoa mais crítica e o mesmo tempo mais tolerante. Assim como tem que se respeitar a cultura do outro,o outro da mesma forma tem que respeitar a sua. A vida é uma aprendizagem, todos os dias estamos aprendendo coisas novas, digo que é uma estrada de mão dupla, que vai e volta.O que aprendemos dia a dia tudo é válido, as coisas que são boas usamos e as que não são descartamos,mas já aprendemos algumas coisas sobre elas.

    ResponderEliminar
    Respuestas
    1. Digitei no tablet .... algumas correções.
      Importância

      Eliminar
    2. Além da questão intercultural da língua, também considero importante a relação do professor do idioma com o próprio idioma. As palavras expressas e escritas vão muito além da gramática. E me refiro, aqui, à relação poética que o professor terá com a língua. Por isso da importância de incluir material literário, seja clássico, seja contemporâneo, em material impresso ou virtual. Ler o que se escreve em uma língua é parte da compreensão cultural da língua a ser aprendida. Os tipo e extensões dos textos literários são diversos. Um conto de duas páginas pode ser suficente para que se compreenda muito além do que as palavras estruturadas podem dizer.

      Eliminar
  5. Ao aprender sobre uma nova cultura é inevitável a comparação com sua própria experiência. Acho que novas ideias só vêm para somar, mas também não é necessário aceitar tudo. Temos que ser tolerantes e pensar que ninguém é obrigado a aceitar seu estilo de vida, assim como você não precisa aceitar o estilo de vida de alguém, mesmo vivendo num país que não é o seu. Se as diferenças sempre forem respeitadas a comunicação se dará de forma eficiente e assim sempre haverá trocas significativas.

    Ana Luísa

    ResponderEliminar
  6. Agradeço as contribuições postadas. Vejo que é um tema que nos interessa o sobre o qual devemos pesquisar e falar.

    Sempre que falamos ou escrevemos, o fazemos com uma intenção e em um contexto específico. E, para isso, precisamos ser cooperativos com as pessoas com quem estamos falando ou para quem estamos escrevendo.

    Segundo Grice, as máximas conversacionais, que regem o comportamento comunicativo dos falantes numa interação verbal, são quatro: a máxima da qualidade, a máxima da quantidade, a máxima da relevância e a máxima do modo.
    A máxima de qualidade expressa o seguinte princípio: tente que a sua contribuição conversacional seja o mais verdadeira possível, para isso, não afirme o que crê ser falso e não afirme aquilo de que não tem provas suficientes para confirmar a sua veracidade.
    A máxima de quantidade expressa o seguinte princípio: tente que a sua contribuição conversacional seja tão informativa quanto necessária, isto é, que seja nem mais nem menos informativa do que aquilo que é fundamental para os objetivos de uma interação verbal. Um discurso repetitivo constitui uma violação desta máxima, pois ao sobrecarregar o enunciado de informação redundante e desnecessária criar-se-á ruído na comunicação.
    A máxima de relevância expressa o seguinte princípio: tente que a sua contribuição conversacional revele ser pertinente em relação ao objetivo da conversa para que se estabeleça uma relação de pertinência entre os enunciados.
    A máxima de modo expressa o seguinte princípio: tente que a sua contribuição conversacional seja ordenada, clara e breve.

    Não sei se vocês já trataram esse tema em outro módulo, porém acho indispensável considerarmos as máximas de Grice no contexto de sala de aula.

    ResponderEliminar